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Bruxismo nos dias atuais: por que estamos apertando mais os dentes?

O bruxismo está cada vez mais presente nos consultórios odontológicos. Entenda a relação com estresse, ansiedade, sono e estilo de vida e saiba quando procurar ajuda.


Bruxismo: um reflexo da vida moderna?

Apertar ou ranger os dentes é um comportamento bastante comum e que vem recebendo cada vez mais atenção nos consultórios odontológicos.

Mas será que realmente estamos tendo mais bruxismo?

A resposta exige cautela. Os estudos mostram que o bruxismo é frequente, mas as taxas variam bastante de acordo com a idade, a população estudada e, principalmente, a forma utilizada para identificá-lo. Uma revisão de revisões sistemáticas encontrou estimativas de 22% a 30% para bruxismo em vigília em adultos, enquanto o bruxismo do sono apresentou estimativas entre 1% e 15%.

Uma revisão sistemática publicada em 2023 encontrou prevalência de possível bruxismo em vigília de aproximadamente 16% em amostras populacionais.

Assim, embora não seja possível afirmar que o bruxismo aumentou de maneira uniforme em toda a população mundial, existe uma percepção crescente do problema — e alguns aspectos da vida contemporânea podem ajudar a explicar por quê.


Mulher com as mãos na face
Mulher com as mãos na face

O que é bruxismo?

Atualmente, o bruxismo é entendido como uma atividade dos músculos da mastigação, que pode acontecer durante o sono ou enquanto estamos acordados.

Durante o dia, pode aparecer principalmente como apertamento ou contato repetitivo dos dentes. Durante o sono, pode ocorrer como atividade muscular rítmica ou não rítmica.

Essa definição moderna é importante porque o bruxismo não deve ser automaticamente considerado uma doença. Em determinadas pessoas, ele pode não causar consequências relevantes. Em outras, entretanto, pode contribuir para desgaste dentário, fraturas, sobrecarga muscular, dor orofacial e sintomas relacionados à articulação temporomandibular.

Por que o bruxismo parece estar aumentando?

O bruxismo é considerado um comportamento multifatorial. Não existe uma única causa responsável por todos os casos.

Estresse e ansiedade

O estresse é um dos fatores mais estudados.

A rotina atual envolve pressão profissional, excesso de informação, dificuldades financeiras, responsabilidades familiares e pouco tempo para descanso. Estudos encontram associação entre níveis elevados de estresse e bruxismo, embora a qualidade das evidências ainda não permita afirmar que o estresse seja uma causa direta em todos os pacientes.

A ansiedade também aparece frequentemente associada ao bruxismo, especialmente em determinados grupos. Entretanto, a relação é complexa e não significa que toda pessoa ansiosa desenvolverá bruxismo.

Um exemplo comum acontece durante o trabalho ou estudo: a pessoa permanece concentrada por horas e mantém os dentes encostados sem perceber. Esse comportamento pode caracterizar bruxismo em vigília.

Sono e bruxismo

A relação entre sono e bruxismo também merece atenção.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2025 encontrou associação entre bruxismo e uma pior percepção subjetiva da qualidade do sono, embora não tenha identificado diferenças consistentes em diversos parâmetros objetivos avaliados pela polissonografia.

Isso mostra que não devemos simplesmente dizer que "dormir mal causa bruxismo". Sono, estresse, despertares e outros fatores podem interagir de maneira diferente em cada indivíduo.

Hábitos e estilo de vida

Alguns hábitos também foram associados ao bruxismo do sono.

Estudos identificaram possíveis relações com álcool, tabaco e consumo elevado de cafeína, embora as evidências apresentem limitações.

Além disso, o estilo de vida atual frequentemente combina longas jornadas de trabalho, exposição constante a telas, excesso de estímulos e redução do período de descanso.

Não podemos afirmar que celulares ou computadores causam bruxismo. Entretanto, os hábitos associados ao uso excessivo de tecnologia podem contribuir para estresse, ansiedade e alterações do sono — fatores que podem estar relacionados ao comportamento.

A pandemia mostrou como o ambiente pode influenciar

A pandemia de COVID-19 foi um exemplo marcante.

Durante esse período, diversos estudos observaram aumento de estresse, ansiedade e alterações do sono. Pesquisas também identificaram mudanças na frequência do bruxismo em determinados grupos, especialmente entre estudantes universitários.

Esses resultados não significam que a pandemia tenha causado bruxismo. Eles demonstram, porém, como mudanças importantes na rotina, no sono e no estado emocional podem estar associadas a alterações no comportamento muscular.

Quais são os sinais de alerta?

O bruxismo muitas vezes acontece sem que a pessoa perceba.

Alguns sinais que merecem atenção são:

  • desgaste ou fratura dos dentes;

  • sensibilidade dentária;

  • dor ou cansaço na mandíbula;

  • tensão nos músculos da face;

  • dor de cabeça ao acordar;

  • desconforto próximo à articulação temporomandibular;

  • sensação de mandíbula cansada pela manhã;

  • percepção de que permanece apertando os dentes durante o dia;

  • relato do parceiro de que existe ranger dos dentes durante o sono.

Ter um desses sinais não significa necessariamente que a pessoa tenha bruxismo. Por isso, a avaliação profissional é fundamental.

Existe tratamento para o bruxismo?

Sim, mas o tratamento deve ser individualizado.

Não existe uma única solução capaz de eliminar todos os casos de bruxismo. A avaliação pode envolver a análise dos dentes, músculos, articulações, hábitos, qualidade do sono, níveis de estresse e medicamentos utilizados.

Em determinadas situações, dispositivos intraorais podem fazer parte do tratamento, principalmente para proteger estruturas dentárias e controlar determinadas consequências. A indicação deve ser feita após avaliação profissional.

O objetivo não é simplesmente "fazer o paciente parar de ranger os dentes", mas compreender o comportamento, identificar fatores associados e evitar ou minimizar suas consequências.

Bruxismo: mais do que um problema nos dentes

O aumento da atenção ao bruxismo reflete uma mudança importante na odontologia.

Hoje sabemos que apertar ou ranger os dentes não deve ser analisado isoladamente. O comportamento pode estar relacionado a diferentes aspectos da vida do paciente, incluindo estresse, ansiedade, sono, hábitos cotidianos e condições individuais.

Por isso, diante de sinais como desgaste dentário, dor muscular, tensão mandibular ou apertamento frequente, o ideal é investigar a causa e não apenas tratar a consequência.

Cuidar do bruxismo é, muitas vezes, olhar além dos dentes. É compreender a pessoa como um todo.

Perguntas frequentes sobre bruxismo

Bruxismo é causado por estresse?

O estresse está associado ao bruxismo, mas não é a única causa. O comportamento é multifatorial e pode envolver fatores relacionados ao sono, ansiedade, hábitos e características individuais.

Quem range os dentes durante a noite tem bruxismo?

O ranger dos dentes pode ser um sinal, mas o diagnóstico não deve depender exclusivamente desse sintoma. Uma avaliação odontológica pode identificar sinais de sobrecarga e desgaste e determinar se é necessária investigação adicional.

O bruxismo pode desgastar os dentes?

Sim. Dependendo da intensidade e frequência da atividade muscular e das características individuais, o bruxismo pode contribuir para desgaste e fraturas dentárias.

Bruxismo tem cura?

O objetivo do tratamento é controlar os fatores associados, proteger as estruturas afetadas e reduzir sintomas e consequências. Não existe uma única abordagem que funcione para todos os pacientes.

Quando procurar um dentista?

Ao perceber apertamento frequente, desgaste dentário, dor na mandíbula, tensão muscular, dor de cabeça ao acordar ou quando alguém relata ranger dos dentes durante o sono, é recomendável realizar uma avaliação.

Marque sua avaliação no Alto da Lapa Odontologia e tire todas as suas dúvidas.


Referências bibliográficas — padrão ABNT

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MANFREDINI, D. et al. COVID-19 pandemic and the psyche, bruxism, temporomandibular disorders triangle. Cranio, 2021.

 
 
 

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ALTO DA LAPA ODONTOLOGIA

Dra Sabrina Piccinato

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